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Tenho sinusite crônica, e de vez em quando ela ataca... Estou gripado faz mais de 1 mês... Fico resfriado de quinze em quinze dias...
Dr. Fabrízio Ricci Romano
Quantas vezes nós otorrinolaringologistas não nos deparamos com este tipo de afirmações dos pacientes em nossos consultórios ou em pronto-socorros? Isto demonstra que a maioria dos pacientes faz uma grande confusão conceitual entre o que é rinite, sinusite, gripe, resfriado, etc. o que acaba levando a tratamentos inadequados e atraso na procura de ajuda médica especializada. Pensando nisto este texto tem a finalidade de explicar em uma linguagem accessível as principais diferenças entre estas doenças e quando o paciente deve procurar assistência.

Resfriado comum: Os resfriados são causados por vírus. Eles correspondem a maior parte das infecções respiratórias e em sua grande maioria são auto-limitados, ou seja, resolvem espontaneamente em um período de 5-7 dias. Não costumam provocar sintomas muito intensos, sendo que os mais comuns são obstrução nasal, espirros, coceira no nariz e secreção nasal clara (tipo água), mas que pode ficar amarelada no final do quadro. A febre não é comum, e quando presente normalmente é baixa.

Gripe: As gripes também são infecções respiratórias causadas por vírus, mas normalmente apresentam sintomas mais intensos que os resfriados. Por exemplo, dor de cabeça, dor no corpo, febre mais alta e sintomas gastrointestinais (dor de barriga, enjôos e diarréia). Também não costumam durar mais do que 10 dias, e se os sintomas persistirem além deste período devemos suspeitar de alguma complicação, como sinusites, pneumonias, etc.

Resumindo, as gripes e resfriados são quadros virais e auto-limitados, portanto o tratamento é voltado principalmente para a diminuição dos sintomas e para diminuir a chance de complicações. Quando os sintomas persistirem mais do que 7-10 dias deve ser procurada assistência médica especializada.

Sinusite: As sinusites ou rinossinusites são inflamações das cavidades paranasais, que são espaços dentro dos ossos da cabeça, recobertos por mucosa. Tradicionalmente chamamos de sinusite os quadros provocados por bactérias. A grande maioria dos casos de sinusite aguda aparece após um quadro viral (gripe ou resfriado). Ou seja, quando os sintomas do resfriado deveriam estar desaparecendo, o paciente começa a apresentar dor de cabeça, nariz entupido, secreção nasal normalmente esverdeada ou amarelada e tosse. A sinusite pode provocar febre, mas isto não é muito comum. Por se tratar de uma infecção bacteriana, a sinusite deve ser tratada por médicos, na maioria das vezes com o uso de antibióticos, entre outras medicações. Quando os sintomas da sinusite duram mais do que três meses, nós a classificamos como sinusite crônica. Com estas informações fica fácil perceber que aqueles pacientes que tem crises eventuais de dor de cabeça e nariz entupido, que duram 2-3 dias e melhoram apenas com descongestionantes ou sintomáticos na verdade não tem sinusite.

Rinite: Iremos chamar de rinites aquelas inflamações do nariz e das cavidades paranasais causadas por alergia. Ou seja, elas não são decorrentes de agentes infecciosos (vírus ou bactérias) por isso não apresentam febre, mal-estar, dor no corpo, etc. a não ser que estejam associadas a outra doença. Existem inúmeras substâncias que podem provocar quadros alérgicose especialmente rinite. As principais são os ácaros (animal microscópico que vive na poeira doméstica, especialmente em colchões e travesseiros), fungos (mofo), pólen, pêlo de cão ou gato e barata. As rinites são doenças crônicas (ou seja, o paciente a tem por anos) que podem se manifestar em crises. Classicamente o paciente apresenta nariz entupido, espirros, coceira no nariz e secreção nasal clara constantemente ou com muita freqüência. Na maioria dos casos o paciente consegue identificar o que causa as crises (exposição a pó, cheiros fortes, mudança de tempo, etc.). Não existe cura para a rinite, portanto o tratamento deve ser realizado a longo prazo e envolve além de medicações a higiene ambiental, ou seja, evitar o contato do paciente com as substâncias que desencadeiam sua alergia.

Esperamos que este pequeno texto sirva para tirar algumas de suas dúvidas mais freqüentes, caso ainda persistam questionamentos por favor nos encaminhe sua pergunta através da seção "Pergunte ao especialista" em nosso site.

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